Prefácio
Para Cinthia.
À Cinthia, que me ensina todos os dias que compreender aquilo que acontece dentro de uma pessoa também é uma forma de salvá-la.
Sua dedicação à Psicologia e seu entusiasmo profundo pela saúde mental infantil mudaram minha maneira de olhar para as pessoas, para a infância e para o sofrimento. Ao seu lado, aprendi que um comportamento quase nunca conta a história inteira e que, por trás de muitas respostas curtas, existe algo que ainda procura linguagem.
Durante muitos anos, trabalhei no Corpo de Bombeiros de São Paulo, inclusive em atividades de resgate e salvamento com motocicletas. Nos últimos anos dessa trajetória, aprofundei minha experiência em intervenções com pessoas que atravessavam crises suicidas.
Carrego com gratidão a experiência pessoal de ter conduzido com segurança todas as ocorrências dessa natureza que estiveram sob minha intervenção imediata, sem perder nenhuma pessoa durante esses atendimentos. Não escrevo isso como medalha, promessa ou comprovação científica. Escrevo porque cada uma daquelas conversas também me transformou.
A emergência acontecia diante de mim naquele instante. Entretanto, ao ouvir aquelas pessoas, muitas vezes percebia que suas histórias não haviam começado ali. Algumas carregavam dores antigas, silêncios prolongados e experiências que, por muito tempo, não encontraram lugar para ser contadas.
Enquanto você estudava e cuidava do que acontece dentro das pessoas, eu passava anos chegando a situações em que algo já havia se tornado urgente por fora. Foi do encontro dessas duas trajetórias que nasceu também minha participação na construção do Espaço Eros e a pergunta que acompanha este livro: e se aprendêssemos a falar sobre aquilo que dói muito antes de a dor ficar grande demais?
Este livro nasceu da sua sabedoria, da nossa convivência e de uma frase que se tornou parte da nossa família: transformar problemas em probleminhas. Não para diminuir a dor, mas para descobrir, juntos, por onde começar.
Leandro Francisco











